Terceirização no Comércio Eletrônico

Ao contrário de Submarino e Americanas.com, a Escalena foi criada há dez anos para atuar especificamente na terceirização de e-commerce. Hoje conta com duas divisões: a primeira de tecnologia, que consiste na oferta de hospedagem de site, plataforma tecnológica e ferramentas, e a segunda agrega faturamento e análise de crédito, chamada ponta-a-ponta.

No primeiro grupo, estão Editora Melhoramentos, Bosch Continental e JVC do Brasil. “A nota fiscal e o centro de distribuição são dessas empresas e não operados por nós”, explica Paulo Chacur, diretor executivo da Escalena. “Já a Phytá é cliente ponta-a-ponta, com tíquete médio de R$ 300. Fazemos todo o trabalho, de etiquetagem do estoque a entrega e SAC.”
Para esse formato, a Escalena cobra mensalidade de serviço (fee mensal), que varia entre R$ 6,5 mil a R$ 25 mil (conforme complexidade do projeto e valor do estoque, que é segurado) conforme o volume e valor dos produtos, e participação de 5% sobre receita líquida. “Assumimos o risco de crédito e processos de expansão.”
O crescimento de cada divisão está atrelado ao tipo de cliente. A indústria, por exemplo, costuma recorrer ao modelo completo de terceirização, que inclui a logística e evita conflitos de canal. “Hoje as fabricantes querem estar no e-commerce sem vender diretamente ao consumidor ou ter que criar uma estrutura para isso. Grandes clientes desse mercado são operadoras de telefonia, eletro-eletrônicos e autopeças. Já empresas que já atuam no varejo, querem só o sistema.”

Chacur não se preocupa com crescimento da concorrência por não tratar do negócio principal da companhia, mas um adendo. Segundo fontes de mercado, que já tentaram negociações com o Submarino, se a companhia não permitir 40% de remarcação (markup) na mercadoria,não quer fazer o negócio. “Isso significa comprar por R$ 10 e revender por R$ 14, mas a diferença não vai necessariamente para o bolso da revendedora.
No caso do Submarino, cerca de 20% tem esse destino”,afirma um varejista. “A empresa pode compensar essa margem com promoções e descontos futuros. É com essas margens que é possível, por exemplo, vender celulares a R$ 10.”

CONSIGNAÇÃO BRANCA.  
Conforme Chacur, terceirizadoras como Escalena e Submarino chegam a comprar os produtos, mas fazem pagamento conforme a venda. “É o que chamamos de consignação branca. A nota é nossa, a mercadoria é nossa, mas não colocamos duplicata em cobrança. Mostramos semanalmente nosso resultado de vendas e carteira de recebíveis, quitamos com ele toda semana”, explica. “Não antecipar a operação (o montante das compras) permite trabalhar com margens mais apertadas.
As empresas me contratam para ser a varejista delas.” A vantagem para os clientes é não ter que montar uma estrutura completa de e-commerce, desde linha de produção à análise de crédito. “Clientes como a Editora Melhoramentos demandam plataforma de alta performance, pois são 500 pedidos por dia. Sairia muito caro para a companhia administrar isso sozinha.”
A própria Escalena terceiriza boa parte de seus serviços. A logística, por exemplo, é em parte feita pela Rapidão Cometa (e o CD) e também pelos Correios. Isso permite uma índice de perdas de apenas 0,5% com fraudes, já que no caso de danos no transporte ou armazenagem, quem assume é o contratado.

EXPANSÃO
Num prazo de três meses, a empresa quer lançar o portal Escalena Shopping, aí sim um modelo mais parecido com Submarino, com “lojas” internas no mesmo site, mas controle da varejista hospedeira. “Mas somente para vendas corporativas”, diz. Hoje, a Escalena soma 25 empresascliente, sendo 40% na divisão de tecnologia e 60% de ponta-a-ponta, atendendo cerca de 300 mil consumidores finais.Nos últimos três anos, a Escalena teve crescimento anual de 25%, mas não revela as cifras do faturamento. Em 2005, tinha dez clientes e em 2006, 18.
A estimativa é adicionar 15 clientes à carteira até o final deste ano. Chacur tem sido procurado por investidores individuais interessados em participação na companhia, mas a idéia é encontrar um parceiro do mercado financeiro, como um fundo de private equity.“Só não quero mudar a filosofia da empresa, mas ter um sócio que participe do crescimento da Escalena”, diz. “Há três anos, com as contas no vermelho, as pessoas riam quando eu falava de e-commerce. Hoje o segmento deixou de ser o patinho feio.”

Fonte: Gazeta Mercantil/ Escalena Comércio Eletrônico

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