Google, produtor de conteúdo?

Eles já ganharam muito dinheiro com anúncios – chegou a hora de fazer o mesmo com conteúdo, segundo diz analista da Businessweek

Poucas empresas no mundo todo lançaram tantas tendências e provocaram tantas revoluções como o Google. Em seus nove anos de vida, a empresa praticamente inventou o conceito de publicidade na internet, virou de cabeça para baixo as relações entre anunciantes, agências e veículos, fez aquisições milionárias e agora se prepara para tentar provocar esta mesma revolução no emergente mercado de mobile marketing.

Nada parece deter a empresa de Larry Page e Sergei Brin, ao que parece. Quando percebem alguma ameaça a seus domínios – como a parceria Microsoft/Facebook – eles mostram a mesma agilidade de sempre, como prova a iniciativa da “rede composta de redes sociais” OpenSocial”.
Como se vê, o futuro parece róseo para o Google – já que suas receitas vêm triplicando em questão de meses. Como 99% de suas receitas vêm dos espaços publicitários, é de se perguntar quando esses números espetaculares perderão o fôlego. Tamanha concentração de receitas pode não ser um bom negócio – até mesmo para um gigante como o Google.
No mercado, aposta-se que a próxima etapa para o Google é tentar se firmar como produtor de conteúdo – talvez o calcanhar-de-Aquiles de sua estratégia até agora. Para o analista Jon Fine, da Businessweek, talvez seja a hora da gigante considerar partir para a seara das compras de empresas de conteúdo.

Custo de aquisição de tráfego

Uma das razões pelas quais o mercado acredita que o Google estará se preparando para se tornar também um produtor de conteúdo é sua ferramenta AdSense, que serve anúncios baseados nos conteúdos de sites e blogs e que paga aos publishers o valor dos cliques gerados nestes espaços.

Responsável por 35% das receitas do Google, o AdWords é alvo de concorrência feroz, vindas de pesos pesados como a Microsoft, Yahoo! e AOL. Além disso, a disputa por sites que gerem tráfego –e, consequentemente, receitas para os servidores de anúncios – começou de forma estrondosa, com a famosa compra do Facebook pela Microsoft, que elevou os preços de mercado da rede social a níveis estratosféricos, e, evidentemente, tornando o conteúdo uma “commodity” extremamente interessante.
Por isso, os custos de aquisição de tráfego têm aumentado, chegando a representar 84% das receitas do AdSense no terceiro quadrimestre de 2007. Para evitar o risco de aumentar as despesas de forma demasiada, a solução pode estar em comprar sites relevantes, com conteúdo muito visto. Desta forma, não há repasse para os produtores de conteúdo e as margens de lucro do AdSense continuariam em níveis aceitáveis.
Para o analista Jon Fine, da Businessweek, isto não quer dizer que o Google deveria comprar, por exemplo, o New York Times – um conteúdo caro e valorizado que atua num setor muito competitivo. A solução, segundo o analista, seria o Google comprar sites com conteúdo informativo para o dia-a-dia das pessoas, como, por exemplo, sites de previsão do tempo. É um tipo de conteúdo que todo mundo acessa, e que não requer ser responsável pelos salários de redações inteiras.

Antes, porém, de proprietários de sites de conteúdo fiquem animados com a perspectiva de poderem fazer os negócios da sua vida, basta lembrar que o Google já dispõe de sites de conteúdo altamente relevantes, como o Google News e o YouTube. Além disso, enquanto as redes de publicidade do Google estiveram dando resultados, elas continuarão tendo legiões de clientes. A resposta mais próxima para o dilema do Google é abrir novas portas para seus negócios, como o sistema Android para celulares e o Open Social.

Mas, claro, comprar operações que já estejam funcionando pode ser mais efetivo e gerar resultados mais rápidos, como o próprio Google já sabe.

Via: Maristela Alves – Editora do JumpExec

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